sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Sem inspiração (Por Carlos Oliveira)


Sem inspiração
(Por Carlos Oliveira)


Um tempo sem inspiração
E me veio a saudade da poesia tristonha
Do amor escrito em suas linhas perdidas.
Senti-me um poeta desempregado
E esquecido pelo ofício que me faz
Sentir tão bem quando os versos
Naturalmente saem.

Nestes dias em que nada escrevi
Não estive alegre nem triste,
E não me ocorreu sequer
Um alento que pudesse
Preencher o vazio de uma folha de papel.

Dias assim é melhor fechar a janela
E não ver a vida passar em branco.
Quem sabe quando a inspiração voltar
Eu esteja descansado e a contemple
Com alguma poesia que meu coração
Elaborar.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A Graça de Deus (por Elineu Rosa Tomé, para o 1º FLIPORTO)


A Graça de Deus
(por Elineu Rosa Tomé, para o 1º FLIPORTO)



A Graça de Deus é um lugar...
Pavilhão, recôndito, torre;
Refúgio, espaço.
Nele, sou eu Nele.
Dele.

Na Graça há largueza
Rebentando fruto imerecido
Abundante ventre fecundo
Parindo em amor
Incondicional...

É na Graça o telhado
Alpendre da acolhida
Teto do acalanto
Inviolável.
Protegido, descanse!

È na Graça a luz
Iluminando o confuso,
Sem fadiga no fardo, sem peso no jugo.
Nessa Graça que é de graça
Inefável.

sábado, 27 de outubro de 2012

Subdeus (por José Eduardo "JEB" Bertoncello)


Subdeus
(por José Eduardo "JEB" Bertoncello)




Eu sou o Autor
Sou o dono da folha à Minha frente
Ela está em branco, nada possui
E cabe a Mim decidir sobre isso.
Eu inicio a criação, então.
No universo vazio Eu escrevo e desenho
A Minha Palavra.
Dentro de seus limites, Eu crio.
Eu imagino, e isso se reflete lá.

Decido por um personagem
Dou-lhe aparência, passado e futuro
Defino como esse ser é, foi e será
Eu o crio ao longo do tempo e espaço
Dou-lhe nascimento e, quiçá, morte
E um nome.
Eu sou seu Pai e Mãe.

Eu crio mundos;
Eu o cerco de existência.
Ele habita Minhas decisões
Eu imagino terra, ar e água
Eu ilumino tudo com fogo
E ele vê, aprecia Minha obra
Ele está onde quero
Ele perceberá o que Eu quiser

Eu olho tudo o que gerei de cima
Pairo sobre Minha Palavra semeada
Sustentada no mar branco
Eu observo a forma que Meu Ser gerou
Eu contemplo esse microuniverso
A Mim cabe continuar, parar
Ou findar tudo.

Posso esmagar essa criação!
Está em Minhas Mãos!
Posso decidir pelo fim!
Posso ser cruel!
Posso decidir sobre esse universo e as existências nele!

Eu criei passado, presente e futuro
Criei matéria, criei vida
Eu criei seres e sou Eu que os faço viver
Eu lhes dei nome e, por meio de Mim,
Eles podem agir e sentir.
Seus pensamentos existirão, por meio dos Meus
Minha Vida lhes dá vida
Eu sonho seu mundo!
Minhas Decisões os sustentam;
Em Minha morte... eles morreriam comigo.

(a imagem é uma cena do episódio "Once and Future Thing - Part Two", de Liga da Justiça Sem Limites)

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Versos Monçoeiros (por Willians Boves - 1º lugar no FLIPORTO 2012)


Versos Monçoeiros
(por Willians Boves - 1º lugar no FLIPORTO 2012)



Almeida Júnior - Estudo da Partida da Monção, 1897

Sob a abóboda celestial que no horizonte esmaecia,
Aos homens a terra despiu-se em dourado fulgor,
Aos seus mais altos ideais jus fazia,
A vidas inglórias prometeu doce sabor.

Resplandecer dourado de frágil esperança,
Dos homens a cobiça avivou,
Objeto da mais vil ganância,
Para o poente os olhares desviou.

Torrentes em silêncio fluíam,
Como em escárnio, em mentirosa placidez,
Impensáveis suplícios mascaravam,
Bem como da obstinação humana zombavam,
Mas que desdenhavam, caso subjugadas fossem.

E das torrentes os homens fizeram caminho,
Que em tosco fundeadouro principiava,
Donde altivez alpestre em eminência se elevava,
Testemunha silenciosa de vidas ao poente lançadas.

Quão majestoso vale, brilhante em tons esmeraldas,
Vivenda de árvores alegres, outeiros que se justapunham,
Quais proveram as viaturas, que ao poente rumariam,
E com as torrentes, desiguais contendas travariam.

Qual ácido a corroer o ser - o pesar das despedidas,
Pois nada se podia antever - na iminência das partidas,
A Deus, súplicas de homens aos quais coragem Deus concedeu, pois ao poente,
Tudo para trás deixar-se-ia.

Avaremanduava, Itagaçava, Avanhandava!
Bracaé, Itupeva, Itapura!
Jupiá, Caijurú, Curaó!
Paiaguá, Guaicuru, Caiapó!

"Por torrentes safiras de lágrimas ousamos navegar,
De rubro manchamos as riquezas d'além-mar,
Muitos sobrevivemos apenas nos sonhos de nossos filhos, pois nossas vidas,
Nas torrentes deixamos escapar.
Oh, ambição nossa, levaste-nos a que, afinal?
Apenas as fronteiras da pátria - para longe... escorraçar?"

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Um segredo (por Samanta Holtz)


Um segredo
(por Samanta Holtz)



Que reflexo misterioso guarda o brilho dos olhos?
Quantos sonhos e desejos não ficaram ali calados
Na esperança, simplesmente, de serem realizados...

Quantas palavras não são ditas no silêncio de um olhar?
Quantas frases interrompidas nunca chegaram a se completar
Escurecendo sua verdade no esquecimento das palavras não ditas...

Quantos caminhos não guardam destroços de um coração partido?
Quantas histórias não escondem o despertar de um amor proibido?

Quantas pessoas se enroscam nas vidas umas das outras
Sem saberem desfazer os nós.
Quantos outros os desfazem por descuido.
Quantos outros se refazem por si só.

Que verdade se esconde por trás de cada mentira?
Que mentira se esconde por trás de cada verdade?
Haverá uma verdade? Haverá uma mentira?
Quais serão os segredos do roteiro do teatro da vida?

Quantos corações já se alegraram em vão...
Quantas vezes aceleraram por uma grande ilusão!
E quantos deles se esquivaram do seu próprio caminho...
Deixaram pra trás o que seria a sua história,
Um futuro sacrificado num presente sem memória.

...

Não há o que mais se explicar.
São verdades que aprendemos cedo.
Para tanto, no entanto, há apenas um mal a aniquilar:
O medo.

Retire-o de cada uma dessas frases...
E eis um pequeno segredo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Perfeição (por Carlos Sergio de Oliveira)


Perfeição
(por Carlos Sergio de Oliveira)




Hoje sou um visitante deste seu coração.
Sei que deve haver algo além
Destes seus olhos tristonhos e arredios
Que não aceitam a minha presença.
Alguma vez fomos amigos,
Noutras nos amamos como jovens que éramos
E hoje há uma estranheza tão natural em nosso olhar.
Parece que brotou a indiferença onde semeamos juras de amor.
Não sei se fui eu ou se foi você quem errou,
Mas isso não importa,
Pois parece que algumas coisas nascem para não vingar,
E se vingam não duram ,
E se duram não deixam saudade,
E se deixam saudade 
São logo esquecidas,
E se esquecidas

Morrem.

Isso!
Talvez seja isso.
Nosso amor morreu.
Jaz agora naquela montoeira de coisas que ele significou.
Nosso amor está lá
No cheiro que faz lembrar,
Na lembrança que faz chorar,
No choro que faz escrever cartas,
Nas cartas que são de verdade
E provam que ele existiu.


Será que ele existe 
Então em alguma destas missivas?
Se esse amor transcendeu nossas almas
E fez eterno no lapso de nossa existência
Poderemos ressuscitá-lo.


Melhor não!
Achas-me tão chato.
Não sei se te gosto.
Somos dois imperfeitos.
Não.
Não diga nada.
Também calar-me-ei.
Fiquemos emudecidos
Enquanto o silêncio faz sua argumentação
Nossos olhares se cruzam
E  o amor volta a estar.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Tempos outros (por Évora Reis Wyatt, para o 1º FLIPORTO)


Tempos outros
(por Évora Reis Wyatt, para o 1º FLIPORTO)




Tempos outros

Para a areia movediça da ilusão.

O caminhar, agora, se apresenta firme.

Um sentimento sublime se apossa do meu peito.

Um sutil formigar lentamente inunda meus sentidos, meu corpo.

Os olhos fechados se abrem e percebem uma nova atmosfera, tão curiosa e singela que me assusta.

Com o tudo que percebo, quase que embriagada de magia, me entrego!

Tento então compreender o movimento que se apresenta no momento,

Agora.

Reparando...

Gradativamente vivencio sensações nunca antes conhecidas, me delicio com elas...

Percebo a diluição da penosa caminhada que por tanto tempo viemos traçando.

É permitido a nós abandonar as velhas formas.

Assim mesmo!! De repente.

Tudo simples, claro.

É tempo de Renovação.

Se apresenta o Despertar.

É Chegada

A Nova ERA.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

INSCRIÇÕES PARA O FLIPORTO PRORROGADAS!


ATENÇÃO: AS INSCRIÇÕES PARA O FLIPORTO FORAM PRORROGADAS!!!
VOCÊ AINDA PODE SE INSCREVER!!!

NOVA DATA DE ENCERRAMENTO:
10 DE OUTUBRO DE 2012

as inScrições são feitas
na biblioteca municipal de porto feliz
e na casa da cultura




domingo, 30 de setembro de 2012

A Águia Que Vive Como Galinha Leu O Livro "A Águia E A Galinha" (por José Eduardo Bertoncello)



A Águia Que Vive Como Galinha
Leu O Livro "A Águia E A Galinha"
(por José Eduardo Bertoncello)


Ela agora sabe que é uma águia.



     O livro "A Águia E A Galinha" de Leonardo Boff, trata de uma parábola para uma terrível condição humanda: a de viver sendo menos do que você pode ser.
Resumo básico: Uma águia acaba sendo criada com galinha e vive como tal, até que um naturalista investe nela, para que retome sua condição natural, de ave de rapina. Boff usa essa historieta para falar de aspectos psicológicos e filosóficos de viver sendo menos do que seu potencial permite.
     A águia da história, por azar, acaba sendo programada para viver como galinha. A águia tem potencial para ser águia, mas não sabe usá-lo, nem sabe que o tem. Vive de um modo que não faz pleno uso dele. É como um carro de corrida indo bem devagar, numa velocidade inferior a que pode atingir.
     Não é culpa de ninguém, não há um inimigo a enfrentar, do qual possa se libertar e depois se vingar. Não é uma história de Conde De Monte Cristo. O que lhe aconteceu foi acidental.
     A águia vê semelhantes fazendo coisas diferentes do que ela faz e obtendo coisas diferentes do que ela tem. Ela sente algo, ela se interessa por aquelas ações e resultados novos. Ela admira seus semelhantes, ela os inveja. Ela quer o que eles fazem e tem. Não apenas por inveja, mas porque ela tem um direito natural a ser como eles.
     É uma parábola, uma metáfora. A águia vivendo como galinha é o ser humano vivendo com sub-humano. É o homem vivendo uma vida inferior àquela que pode viver, uma vida mais tediosa, mais difícil, mais pobre.
     Uma pessoa vive como galinha (uma vida menor) e pode nem mesmo perceber que é totalmente igual a pessoas que vivem como águias (vidas entusiasmantes, plenas, ricas, cheias de amor, de arte e de realização). Pode nem perceber que é tão capaz quanto elas. Nunca fez uso das suas habilidades máximas que seu potencial permite. E foi programada para viver de outro jeito, com muito menos, para viver como uma galinha.
     Imaginemos que a águia-galinha lê o livro "A Águia E A Galinha", de Leonardo Boff. Ela chega a algumas conclusões, pelo menos em nível intelectual.
     Ela é uma águia e não uma galinha. Está vivendo, portanto, de forma errada.
     Ela é uma águia igual àquelas que viu, que admirou. Pode e quer fazer tudo o que elas fazem, ter tudo o que elas têm.
     Ela é uma águia e deve viver como uma águia. Se optar por continuar a viver como galinha, estará sendo covarde ou idiota ou louca.
     Ela agora sabe que é uma águia. Sabe do que é capaz.
     Essa águia é você, caro leitor. Mesmo que não tenha lido o livro, você leu o meu texto. Agora, você sabe. Você é uma águia vivendo como galinha, é um ser humano tão talentoso potencialmente quanto os maiores entre nós, vivos ou mortos. Tem o potencial para ser um Einstein, um Da Vinci, um Phelps, um Bolt.
     Qualquer pressão para que a águia viva como uma galinha é prejudicial a ela. Ou vem de tolos que não a veem como tal, não enxergam sua natureza... Ou vem de inimigos que desejam privá-la de seus poderes e sucesso por algum motivo egoísta (sadismo, inveja, escravidão). E todos sabemos que há muitos assim, que para garantirem sua superioridade procuram sabotar os outros, que consideram a concorrência, prendendo-os numa inferioridade artificial.
Porém, o fato de alguns não a reconhecerem como águia, de tentarem declará-la uma galinha, não muda sua natureza.
     Ser menos do que você pode ser é a mais terrível de todas as tragédias. Sei disso porque faço parte da humanidade que a vive. Por isso, numa compaixão por quem me lê, digo: Leia o livro de Boff e outros livros assim. Pelo menos, irmãos e irmãs, pensem no assunto, sintam o calafrio da verdade e o ímpeto de se transformar:
A MAIORIA DE NÓS VIVE SENDO MENOS DO QUE PODE SER. VOCÊ É UMA ÁGUIA, CARO LEITOR!


Confira o site dos autores dessa tirinha inspiradora: http://10paezinhos.blog.uol.com.br/

sábado, 29 de setembro de 2012

VIVÊNCIAS (por Maristela Rodrigues)


VIVÊNCIAS
(por Maristela Rodrigues)



     As experiências que tive na minha vida me revelaram o que sou hoje. Tudo que passamos e vivemos sempre nos
acrescenta algo e aumenta nossa vida; pois, vida é aprendizado, reconhecimento de si mesmo, formação de interiores.
A cada experiência vivida nos tornamos isso ou aquilo... Isso que escolhemos ou aquilo que é o reflexo do que vivemos.

     Tomamos nossas decisões ao decifrarmos nas entrelinhas o que a vida nos ensina. Essas vivências podem servir de
relatos e bases para aqueles que ainda não tiveram muitas vivências. Esses, quando viverem poderão sofrer, chorar e
até se decepcionar...

     Mas, é assim que a vida vai retratar. Ela vai falar, vai calar, vai machucar e vai até amar...

     Acho que já tive muitas vivências, de todas as maneiras: decepção, perda mortal, depressão, etc. e tal...

     Com isso, sou o que sou: um dia mãe, outro, porém filha... um dia mulher, outro menina.

     Vou agregando experiências e vivendo momentos que jamais voltarão ou se repetirão, apenas se transformarão...

     Transformação, essa é a palavra que retrata toda minha vida e, acho que a sua também. Nos transformamos para poder viver e até, sobreviver. Faço das palavras do cantor Lulu Santos, minhas palavras: “Assim caminha a humanidade,... e ainda vai levar um tempo para fechar o que feriu por dentro..., não vou dizer que foi ruim, também não foi tão bom assim... Não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais...”

     Quero sim vida, experiências novas, novas vivências para continuar a TRANSFORMAR e assim poder caminhar...

(Maristela Rodrigues)
maio/2012

TRANSFORMAÇÃO (por Maristela Rodrigues)


TRANSFORMAÇÃO
(por Maristela Rodrigues)




Alegria descontente, entusiasmo aparente,
É assim que se sente...
Aquele filho persistente.
Mantém a luta incessante,
Buscando sempre avante...
Enfrentando um sistema intrigante.
Mas o tempo vai passando...
E o filho vai cansando...
E os pontos entregando.
Só pedindo ao nosso Pai,
Que a humanidade abençoai.
Para que o Amor Divino,
Chegue aos olhos do menino.
E que possa encontrar o que procura...
Depois daquela vida dura,
Pessoas sem armadura.
Com amor no coração,
A vida não será em vão.
E novos filhos virão,
Após a TRANSFORMAÇÃO.
Quem sabe, mais felizes...
Quem sabe, serão matrizes
De uma nova geração,
Com muito mais educação.

(Maristela Rodrigues)
maio/2012

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Transformações (por Nilson Araujo)


Transformações
(por Nilson Araujo)



No meu jarro não tem água
No meu cesto não tem pão
Se estendo-te a mão

O olhar me é desviado

Na noite fria e escura
Nem os cães me farejam,
A cítara sem cordas
Reforça a chama da fogueira
E os pés descalços
Se recolhem com o vento

No deserto habitam miragens...
...alguns sonhos...
E a minha realidade.
Existe um lado escuro na lua
Existe um buraco-negro no céu...
...existem coisas, o que pensar?

No despontar da aurora
Pessoas vão e vem
Como a brisa que passa,
No sentido de suas horas,
Sem saber do seu fim.

Uma moeda me é jogada
E ao olhar para o alto
Vejo o fundo do poço
E do copo ainda meio cheio
Resgato o otimismo
E do seu lado meio vazio
Transformo água em vinho.

Medos Bizarros (por Sonia Belon)


Medos Bizarros
(por Sonia Belon)



Eu não soube responder de imediato ao aluno que me perguntara o significado de “Triscaidecafobia” — termo que ele encontrara logo no início da crônica de Luis Fernando Veríssimo.
Triscaidecafobia??? Não... Eu não conhecia essa palavra.
Eu sabia que fobia significa medo...
Deca é dez....
 Mas...  e Triscai?
Definitivamente não. Eu não tinha nem idéia do que fosse triscaidecafobia...
Foi preciso continuar a leitura para que entendêssemos que o autor estava se referindo ao “medo do número 13”.
Estranhei o argumento. Pensei comigo: “Mas que bobagem é essa??? Isso lá existe? Eu nunca ouvi falar em tal medo... E olha que, de medo, eu entendo muito bem!”
Imaginei que meu cronista favorito faria melhor se contasse a história de gente que tem medo de altura (acrofobia), de viajar de avião (aerofobia), de casamento (gamofobia)... Medos esses até que compreensíveis; afinal, a pessoa pode ficar machucada se cair da escada, ou morrer se o avião despencar , ou endoidecer se o casamento não der certo. Mas medo de um número ...? Que medo mais bobo e descabido! Que absurdo!
Mas, de repente, caí em mim... Peraí!  Quem sou eu para achar alguma fobia absurda!
Logo eu morro de medo de escuro (nictofobia) e de lugares fechados (claustrofobia)!  Quer medos mais descabidos que esses?
A partir daí fui me lembrando de outros medos bobos. Como o da minha amiga Rita, por exemplo.  Quando menina ela tinha verdadeiro pavor de...penas!  Pode???  Pode.
         Certa vez, sem saber, eu supliciei essa colega de 5º ano, levando para a sala de aula uma pena de uns 20 cm em que adaptei um grafite. Ao escrever com essa improvisada lapiseira eu me via parecida com a imagem de São Bento, com uma linda pena em punho, redigindo as regras da Ordem. E tão contente eu estava, que nem percebi que, na carteira do lado, a Rita fungava, suava e tremia feito vara-verde diante daquilo que para os outros colegas era apenas um inofensivo objeto, mas que para ela parecia um monstro a ameaçar-lhe a existência.
         Lembrei-me ainda do medo de chuva que tanto fez sofrer uma querida tia. Nem bem uma nuvenzinha tímida acinzentava o azul do céu, e Tia Candinha se punha de joelhos implorando a Deus que levasse para bem longe aquele “temporal terrível”. Numa noite, quando chovia torrencialmente e a tia Candinha chorava a cântaros, meu avô levou- a para o quintal e fechou-lhe a porta na cara, esperando que a filha — menina de uns 11 anos — enfrentasse sua fobia. Ah, que remédio amargo e inútil! Tia Candinha gritava e esmurrava a porta num desespero tamanho que parecia estar sendo perseguida por um leão faminto...
         Ela nunca se libertou da fobia. Mesmo quando, já adulta ,debruçava-se na janela do 19º andar , viajava de avião, nadava nas águas barulhentas do rio que cortava o sítio e encarava a violência da cidade grande , ela continuava a ter esse medo comparativamente tão descabido.
         Mas além da Rita e da Tia Candinha, conheço muitas outras pessoas com fobias.      
         A Paula e a Bianca, por exemplo, têm medo de cachorro, até mesmo de filhotinho de poodle.  A Luciana e a Verinha têm medo de baratas e a  Rose, de lagartas — dessas que aparecem em coqueiros de jardim.  O Pedrinho tem pavor de passar debaixo de escadas. A Jane tem medo  de subir as escadas dos prédios enquanto a Iná tem medo de elevadores.  A Nádia e o Benedito têm medo de falar em público. A Lívia tem  medo de injeção;   a Margarida, de hospital e o Ariovaldo, de cemitério.  A Lia, a Cida e a Alessandra têm  medo de rãs e sapos enquanto a Ângela treme diante de qualquer  inseto voador. O Roberto e a Cinira têm medo de micróbios. A Fátima e o Anderson— como eu — têm medo de escuro.  O falecido Betão tinha medo de isopor.  A Elisa, a Gisele, a Janaína, o Paulinho e a Simone têm medo de dirigir.  A Edna tem medo de galinha e a Talita de lagartixa....
         Só não conheço mesmo é gente com medo do número treze...




quinta-feira, 6 de setembro de 2012

1º FLIPORTO - Resumo do Regulamento

1º FLIPORTO - Resumo do Regulamento

Para ler e baixar, clique sobre a imagem:

Dizendo francamente (por Évora Reis Wyatt)


Dizendo francamente(por Évora Reis Wyatt)



Olha aqui, Sr. Medo ! Dá lincença deu falar:
Eu me nego a aceitar sua atuação.
Não venhas cochichar-me que ando em contra mão.
Vou bem te dizer uma coisa; tu, que te achas tão esperto e forte, já devia ter percebido que eu almejo a conquista, Meu Querido!
Tanto quero me realizar que todas as vezes que vier me visitar irei te superar...
Nessa nossa jogatina de xadrez...
 onde tentas me por em xeque toda vez.

Évora Reis Wyatt

terça-feira, 4 de setembro de 2012


1º FLIPORTO
1º FESTIVAL LITERÁRIO DE PORTO FELIZ



INSCRIÇÕES: DE 04 DE SETEMBRO A 05 DE OUTUBRO DE 2012
REGULAMENTO

1-  OBJETIVO
1.1-       O 1º Festival Literário de Porto Feliz – FLIPORTO, promovido pelo GRUPO SARAU NA CASA com o apoio da Prefeitura Municipal de Porto Feliz, tem por objetivo incentivar, ressaltar e valorizar o desenvolvimento da criação literária na expressão POESIA e promover a revelação de poetas portofelicenses.

2-  INSCRIÇÃO

As poesias poderão ser inscritas mediante o cumprimento das seguintes exigências:

2.1 – Cada participante poderá se inscrever com apenas 1 (uma) poesia original e inédita de autoria própria (NÃO SERÃO PERMITIDAS POESIAS IDENTIFICADAS COM O NOME DE REGISTRO DO AUTOR, POESIAS PLAGIADAS OU IDENTIFICADAS PELOS JURADOS COMO PLÁGIO/ CÓPIAS DE POESIAS PUBLICADAS EM INTERNET, LIVROS OU DE CRIAÇÃO ESCRITA, NÃO CONDIZENTE COM A FAIXA ETÁRIA DO AUTOR).
2.2 – O concurso é aberto a poetas que residam na cidade de Porto Feliz ou estudantes com mais de 14 (quatorze) anos que estejam matriculados em escolas do município de Porto Feliz (ano letivo de 2012).
2.3 – Serão selecionados com indicação para premiação 20 (vinte) poesias.
2.4 – O limite para cada poesia é de 2 (duas) páginas.
2.5 – Os interessados poderão participar gratuitamente, encaminhando 5 (cinco) cópias de uma poesia, original, inédita, em português, de sua própria autoria, com tema livre, redigidos em folha A4, em um só lado do papel, corpo 12, espaço 1,5 (entrelinhas) e fonte Times ou Arial.
2.6 – Cada poesia deverá ser identificada apenas pelo título e pseudônimo do autor.
2.7 – Em envelope anexo, LACRADO, o candidato deverá encaminhar a ficha de inscrição devidamente preenchida, contendo os dados do autor: Idade, nome completo, pseudônimo, endereço completo, inclusive o CEP, telefone para contato, RG, CPF, profissão, grau de escolaridade, breve currículo na área literária (se houver) e o título do trabalho inscrito.
2.8 – Por fora do envelope, identificar apenas com o pseudônimo e título do trabalho.
2.9 – Caso seja selecionado, o autor inscrito poderá interpretar seu trabalho no dia da apresentação/premiação ou indicar seu intérprete. Caso não tenha nenhuma indicação a fazer, deverá autorizar a organização a selecionar alguém para tanto no dia da apresentação/premiação.
2.10 – Todos os trabalhos inscritos, selecionados ou não, não serão devolvidos, estes serão arquivados na Biblioteca Pública Municipal “Cesário Motta Júnior”.
2.11 – A inscrição é gratuita.
2.12 – Os trabalhos inscritos selecionados ou não, em nenhum momento poderão ser utilizados para fins comerciais, podem ser utilizados apenas para exibição e divulgação culturais, observados e divulgados sempre com o crédito de cada autor.

3 – PERÍODO PARA INSCRIÇÕES

INSCRIÇÕES: de 04 de Setembro de 2012 a 05 de Outubro de 2012
LOCAL: Casa da Cultura e Biblioteca Pública Municipal

4 – SELEÇÃO E PREMIAÇÃO

4.1 – O Grupo Sarau na Casa constituirá para fins de julgamento e pontuações, comissão de júri que será composta por 03 (três) profissionais de notório reconhecimento artístico e cultural.
4.2 – Cabe à comissão de júri da categoria Composição a análise e a pontuação dos 20 (vinte) trabalhos indicados da categoria Composição e o desempate se for necessário.

5 – PREMIAÇÃO

5.1 – As 20 (vinte) poesias selecionadas para o 1º Festival de Poesias de Porto Feliz serão interpretadas no 8º SARAU NA CASA no dia 25 de Outubro de 2012.
5.2 – A cerimônia de premiação do FLIPORTO terá início às 20 horas, na Casa da Cultura.
5.3 – As 20 (vinte) poesias concorrem entre si à premiação de 1º, 2º e 3º lugares do 1º Festival Literário de Porto Feliz – FLIPORTO.
PRÊMIOS:
Serão entregues Troféus.
.  1º Festival Literário de Porto Feliz – FLIPORTO aos 3 (três) primeiros classificados na Categoria Composição.
.  Certificado de Menção Honrosa do 4º ao 20º colocado.

6 – DISPOSIÇÕES GERAIS

O interessado, no ato da inscrição no 1º Festival Literário de Porto Feliz – FLIPORTO confirma a aceitação plena de todos os itens deste Regulamento.
6.1 – A decisão do júri é irrecorrível e a ela não caberão recursos;
6.2 – Casos de plágio levarão à desclassificação sumária;
6.3 – Os casos omissos neste regulamento serão resolvidos pela Comissão Organizadora.

                                                          03 de Setembro de 2012. 

SOBRE O MEDO (por Ivan Vagner Marcon, de Cerquilho)


SOBRE O MEDO

(por Ivan Vagner Marcon, de Cerquilho)


I


Peço apenas que ao menos uma entidade
Se pronuncie aos meus olhos...
Cansado que estou desta dor adentrando-me os restos
e sobras...

Vãos,
bermas,
cantos e sarjetas
repletas de mim.

Perceber na vida outros espelhos…
(e não deixar de encará-los)...
Quem sabe até voltar a sorrir...
Semear novas reflexões e outros insights.
Confiar nos caminho e abrir-me a outras narrativas.
(Re) ligar-me.

II

Hoje nada me é eco
Nada me vaza.
Apenas um esquecimento
perseguindo meus poucos vestígios...

Como uma foto a desbotar nas gavetas...
Como esta cicatriz tatuada na pele...
Como o tempo erodindo os ladrilhos...
Como mil espelhos partidos me adentrando o ventre...
Como o saber de outros horizontes a florir outros castelos...
E não lhes poder habitar.

III

Solidão é medo.

Medo
Que paralisa
freia
consome
e tolhe...
Um nada poder fazer.

Vida metade breu...
Metade cinza.

IV

Vida recolhida...
Simples engrenagem oxidada do destino.
E nada mais...

**************************

Confira também o blog do poeta:  Diversos Possíveis

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

MEA CULPA, FUI MANÉ! (por José Eduardo “JEB” Bertoncello)


MEA CULPA, FUI MANÉ!
(por José Eduardo “JEB” Bertoncello)



     Sem deixar tempo e lugar precisos e sem usar de qualquer outro nome que não o meu, autor, aqui vai um “causo” meu. Exemplo da mais pura “manezice”. Episódio tão estúpido que até tinha me saído da mente, ficando fora dela por anos.

     Eis que eu, mais jovem, em outro trabalho, flertava (conhecem o termo?) com uma moça que era presença freqüente lá. Acontecia aquela lista toda de sinais e rituais entre a gente (troca de olhares, sorrisos blábláblá). Éramos dois seres humanos AFIM, entenderam?

     Era uma moça dessa cidade mesmo, muito bonita. Era linda e cobiçada, uma dessas mulheres cheias de luz que ativam a percepção da poesia na gente, chocando nossos sentidos com beleza... Ah, esqueçam - Tom e Vinícius fariam algo de grande com a eletricidade que ela causava, não tenho talento para tentar algo artístico sem parecer um copista brega. Pula a parte das emoções causadas pela menina.

     Só que antes EU era uma dessas aberrações nerds que você vê em filmes e outras histórias. Era uma amostra da vida imitando com precisão a arte. Dramatizando bastante, talvez para conseguir alguma simpatia, era um ser humano vivendo uma vida-caricatura.

     Bem, escada a gente sobe, estrada a gente segue, as coisas evoluem. Nossa proximidade aumentou, a coisa avançava, ciclo natural. Conversas se expandiram, todas aquelas atitudes e ações aumentaram. Novo nível de proximidade todo dia. Num dos nossos momentos juntos, disfarçado de conversa comum, disse a ela que deveria cortar o seu cabelo curtinho, que achava demais mulher usando o cabelo assim. Não quero dizer cabelo chanel, nada meio termo que se passa por cabelo curto. Falo de cabelo cabelinho mesmo, corte no estilo masculino. Curto de verdade, sem dó dos fios.

     Cada um na sua, eu acho bonito demais.

     Caras, ela fez! Ela cortou! (Escrevo isso com uma mão na testa e o olhar baixo)

     Ficou linda, carinha angelical, os traços delicados daquela beleza com ar de inocência acentuados por uma moldura divina...

     Entretanto, eu não soube o que fazer com aquilo. Elogiei, meio aparvalhado por ela ter feito o que sugeri. Mas a coisa entre nós parou de evoluir. O nerdão que eu era estancou.

     Pois a moça cortou o cabelo POR MIM!

     Ela queria mais mesmo, já eu, não... Ou melhor, fiquei assustado demais para evoluir com ela.

     Ela se foi. Abandonou aquela terra que não daria mais nada que eu parecia ser. Foi sensata - temos de cortar o ramo que não dá fruto. Houve a partir de então cada vez menos de tudo, conversas, olhares, até a presença dela.

     Quando nos encontrávamos, sentia a decepção, acompanhada da raiva da moça.

     Nerdão! Às vezes, nossa versão de tempos idos é tão odiosa!

     Ela terminou bem, pessoal. Casou, tem filhos, está bem hoje. Não sou capaz de estraçalhar corações de forma hollywoodiana. Felizmente, pois, pelo visto, não aguentaria.

     O episódio só voltou à tona ontem, içado para a superfície da mente, vindo do subconsciente/porão de lembranças por conta da conversa com uma colega de trabalho, que havia cortado o cabelo blábláblá. Não saiu mais da mente.

     Por que resolvi escrever? EXPIAÇÃO. Passei a noite sentindo tudo mais amargo, incapaz de esquecer de minha falta de sensibilidade, covardia, “manezice”. Alguma exposição pública, me submetendo a alguma vergonha pública, me pareceu apropriado.

     Texto acabando, aqui vai o arremate, a conclusão: Ganhei, um dia, um coração. Não soube o que fazer com ele. Desperdicei vida. Ofendi.

     MANÉ!