segunda-feira, 27 de agosto de 2012

UNHUDO DA PEDRA BRANCA (por Carlos Carvalho Cavalheiro)

UNHUDO DA PEDRA BRANCA
(por Carlos Carvalho Cavalheiro)




Lendas que cobrem de luto a noite,
quando resoluto resolvo cavalgar...
Noiva de alma penada, caminha
assombrada em noites de luar...
Ecoa o grito do Unhudo
e isso me deixa mudo
e faz o medo tagarelar...
Lendas que povoam a noite
dormem quando o sol se levanta
O espanto que antes era açoite
de dia é história que encanta,
encanta...


18.12.2011.
NOTA DO AUTOR

Não sei se vc conhece a lenda do Unhudo da Pedra Branca, das cidades de Dois Córregos e Mineiros do Tietê? Eu fiz entrevistas em dezembro do ano passado e pretendo editar isso em forma de documentário (se conseguir o patrocínio, o que não está fácil). Fiz uma letra para uma possível trilha sonora. Acho que se encaixa com a temática desse sarau sobre folclore / medo.

Sobre o Unhudo

Em uma das pequenas grutas situada no sopé da Pedra Branca mora o Unhudo. Dizem que suas unhas ou garras são realmente muito grandes que, ele tem cerca de dois metros de altura, que possui cabelos compridos e que usa um chapéu de palha cujas abas já estão desfiadas pelo tempo.
Mas o Unhudo não pode ser considerado um ser humano. Trata-se de uma entidade fantástica, pois, quem o viu garante que por trás da roupa esfarrapada está um couro seco, já que seu corpo não é encarnado. Desse modo, segundo se comenta, o Unhudo seria um morto-vivo.
Quando passa alguma boiada perto da Pedra Branca, o Unhudo se esconde atrás de um tronco de árvore e fica repetindo o aboio que os boiadeiros costumam dizer com sua fala cantada pra tocar o boi. Assim, se o boiadeiro grita "Oh! Boi!", o Unhudo repete "Oh! Boi!", como se fosse um eco.
O Unhudo, porém, presta uma grande ajuda na preservação das matas que rodeiam a Pedra Branca, pois, segundo a lenda, ele não aceita que as pessoas colham jabuticabas silvestres e nem orquídeas naquele local. E toda pessoa que se atreve a desobedecê-lo corre o risco de levar um tapa que costuma arremessar o indivíduo para o outro lado do rio Tietê.



Um comentário:

  1. Eu não uso esse apelido à toa. Vejam por que.

    De 1947 a 1958 eu morava em Dois Córregos. Meu pai tinha uma invernada lá perto, bem perto da Pedra Branca. Tínhamos umas 200 cabeças de gado, que, a cada 15 dias, íamos até lá pra cuidar e zelar pela boiada. Eram 4 horas a cavalo da cidade até invernada.

    A Pedra Branca sempre me atraíra, e eu prometera pra mim mesmo que um dia eu iria até seu cume.

    Numa época que houve um grande incêndio na região, que durou mais de 3 meses, queimou toda a vastidão das invernadas que existiam entre a Pedra Branca e as margens do Rio Tietê, lá, onde era a sede da fazenda da D. Xanda. Queimou toda parte superior da Pedra Branca. Essa era a oportunidade de ir até lá.

    Assim, um dia do ano de 1956, eu e mais 3 amigos, fomos a cavalo até lá. Deixamos os cavalos na sede do sítio do Sr. Marcílio, amigo nosso que ficava quase no pé da Pedra Branca. Deixamos os cavalos lá, e seguimos a pé. A subida só podia ser por um lado, pois as bordas são altos paredões. Subimos, e foi uma aventura extraordinária.

    De repente, lá no alto, num pé de vento, meu chapéu caiu lá embaixo, na mata onde o verdadeiro Unhudo mora. Eu não podia perder meu chapéu Prada, novinho novinho. Voltamos no dia seguinte, eu e meu pai, pra buscar o chapéu. Deixamos os cavalos na borda do mato e caminhamos mais ou menos uns 500 metros até chegar no paredão da Pedra. Por sorte, ao depararmos com o paredão, olhando em volta, encontrei o meu chapéu. Iniciamos retorno para onde estavam os cavalos. Depois de uns 200 metros, ouvimos um barulhão vindo do nosso lado direito, do lado do mato mais profundo. Parecia que algo vinha em nossa direção arrastando e levando tudo no peito. Meu pai puxou o revolver, eu engatilhei a espingarda e eis que surge na nossa frente, o referido e verdadeiro Unhudo. Pegos de surpresa e susto, descarregamos as armas no bicho. Foi fumaça pra todo lado. O bicho deu um pulo pra trás, e saímos correndo em direção dos cavalos. Por sorte, saímos exatamente onde eles estavam. Montamos e saímos em disparada. Os cavalos corriam tanto que até parecia que arrastavam a barriga no chão. Abrimos a porteira que dava pra nossa invernada, olhamos pra trás e não vimos mais nada. No mato, de longe, dava pra ver uma fumaceira. Não sabia se era dos tiros ou outra coisa desconhecida. Olhamos um pro outro, eu e meu pai, com os olhos esbugalhados. Caímos na risada e fomos cuidar do nosso gado. Mas a história ficou indelével em nossas mentes, na minha, até hoje, embora ninguém consiga acreditar. Mas foi verdade. Pois é... pois é... pois é...

    Isto não é “papo furado”.

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